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Para Refletir

O exercício da Matemática!

Postado por: Junior Yapondjian em: 26/11/2015

Tenho me preocupado com a educação em nosso país, principalmente com a dificuldade apresentada no ensino de exatas! Sou professor de matemática. Tenho experiência com crianças desde os 10 anos (6º ano) até o nível superior e culminando com o curso em licenciatura de matemática. Além disso, ministro aulas de treinamento para olimpíadas de matemática.



Para que se tenha um bom aprendizado em matemática, o estudante precisa de disciplina e organização. Somando-se a isso, desenvolver, nele próprio, a vontade de aprender a aprender! Nesse mundo “tecnológico”, o jovem, de modo geral, prefere sempre o caminho mais fácil e abomina tudo o que precisa de dedicação e esforço, contrariando o caminho para um aprendizado sério da matemática. Alguns pedagogos sugerem o lúdico como ferramenta de aprendizado, o que concordo até certo ponto, mas isso é limitado, pois o estudante precisa ultrapassar essa barreira e mergulhar no mundo da matemática, que quase sempre é árida e exige disciplina. Brinco com os alunos em dizer que eles não precisarão saber equação do segundo grau para comprar pão na padaria, mas devem perceber que a matemática desenvolve outras habilidades importantes em nosso cérebro, principalmente a capacidade de abstração e de ter um pensamento lógico dedutivo, consequentemente um aprimoramento pessoal e futuramente profissional.



Penso que a repetição no processo ensino-aprendizagem é condição necessária, pois após entender o conceito da multiplicação, é primordial “decorar” a tabuada. Por mais aterrorizados que fiquem alguns educadores! O aluno deve perceber a importância do estudo diário e muitas vezes repetitivo. Em Matemática, cometem-se muitos erros, repetem-se muitos processos, porém é assim que se dá a aprendizagem. E é o próprio estudante, que errando vai achar o caminho e desenvolver a habilidade de perceber o que deve ser melhorado.



Os pais podem contribuir muito, principalmente quanto aos elogios e nas palavras de incentivo, quando as coisas não estão indo tão bem. Um erro que os pais não podem cometer é dizendo que a matemática é realmente difícil e que quando estudava não gostava e que tirava notas ruins (se isso for verdade, não precisa chegar ao conhecimento do filho).



Em suma, o estudante precisa escrever, rabiscar, usar lápis, rascunhar, … e deixar por um momento os aparelhos eletrônicos e se dedicar aos estudos. No mês de fevereiro li a reportagem abaixo que mostra a importância do ato de escrever para o desenvolvimento cognitivo e que reforça minha linha de pensamento. Espero que gostem…



Prof. Me Ronaldo Lugli

Prof. de Matemática do Colégio Atibaia









Folha Uol – 14/02/2015



Falta de escrever à mão ‘pode prejudicar desenvolvimento cerebral das crianças’



Uma pesquisa americana sugere que o uso excessivo de teclados e telas sensíveis ao toque em vez de escrever à mão, com lápis e papel, pode prejudicar o desenvolvimento de crianças. A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos Estados Unidos, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro da criança.

Para chegar à conclusão de que teclados e telas podem prejudicar esse desenvolvimento, a pesquisadora estudou crianças que ainda não sabiam ler –que poderiam ser capazes de identificar letras, mas não sabiam como juntá-las para formar palavras. No estudo, as crianças foram separadas em grupo diferentes: um grupo foi treinado para copiar letras diferentes, enquanto outras trabalharam com as letras usando um teclado. A pesquisa testou a capacidade dessas crianças de aprender as letras. mas os cientistas também usaram exames de ressonância magnética para analisar quais áreas do cérebro eram ativadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto.

O cérebro das crianças foi analisado antes e depois do treinamento, e os cientistas compararam os dois grupos diferentes, medindo o consumo de oxigênio no cérebro para mensurar sua atividade.







Respostas diferentes

Os pesquisadores descobriram que o cérebro responde de forma diferente quando aprende por meio da cópia de letras à mão de quando aprende as letras digitando-as em um teclado. As crianças que trabalharam copiando as letras à mão mostraram padrões de ativação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas, que podem ler e escrever. Escrever à mão ativa áreas diferentes do cérebro das crianças. Esse não foi o caso com as crianças que usaram o teclado. O cérebro parece ficar “ligado” e responde de forma diferente às letras quando as crianças aprendem a escrevê-las à mão, estabelecendo uma ligação entre o processo de aprender a escrever à mão e o de aprender a ler. “Os dados do exame do cérebro sugerem que escrever prepara um sistema que facilita a leitura quando as crianças começam a passar por esse processo”, disse James. Além disso, desenvolver as habilidades motoras mais sofisticadas necessárias para escrever à mão pode ser benéfico em muitas outras áreas do desenvolvimento cognitivo, acrescentou a pesquisadora.







Computadores em escolas

Muitas escolas têm pressa em implantar computadores em classes com crianças cada vez mais jovens. As descobertas da pesquisa podem ser importantes para formular políticas educacionais. “Em partes do mundo, há uma certa pressa em introduzir computadores nas escolas cada vez mais cedo, isso (essa pesquisa) pode atenuar (essa tendência)”, disse Karin James. Muitas escolas americanas até já transformaram escrever à mão em uma alternativa opcional para professores. Muitos educadores não ensinam mais caligrafia. Uma solução poderia ser usar algum programa em um tablet que simulasse o ato de escrever à mão. Mas, pelo que a pesquisa da cientista sugere, nada parece substituir o aprendizado com a escrita à mão.

O exercício da Matemática!