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Para Refletir

As Necessidades da Água

Postado por: Junior Yapondjian em: 26/11/2015

Ano de 2015, região Sudeste. Conhecida entre outras características por ter clima tropical úmido com média de precipitações anuais acima dos 1500 mm, podendo em alguns casos ultrapassar os 2000 mm, a região passa atualmente por um período de estiagem incomum, histórico segundo alguns pontos de vista.

Faz-se necessário pontuar alguns fatores de relevante interesse para estimar-se a dimensão do problema e a complexidade do assunto.

Em nosso município, embora também atingido pela crise dos sistemas de abastecimento (uma vez que utiliza água do rio Atibaia, formado pelas águas da Represa Atibainha – integrante do Sistema Cantareira), não houve grandes cortes de abastecimento na maioria dos bairros. Ainda sim houve o decreto de Estado de Emergência no abastecimento por parte da instituição competente, mas como não faltou água de fato para a população em geral, torna-se um tanto mais difícil a conscientização da população que na prática não teve de conviver (ainda) com a falta de água.

Há uma relação direta entre as condições da vegetação nativa e a manutenção da qualidade e quantidade de água nos rios e mananciais, inclusive em relação à vegetação de regiões distantes como no caso da floresta amazônica, que é responsável por parte das chuvas no sudeste brasileiro, principalmente no verão.

Estima-se que algo em torno de 80% da água consumida é utilizada nos setores agrícola, agropecuário e industrial, enquanto 20% da água é destinada ao consumo humano. Como se sabe, produzir é necessário, ou em outras palavras, deixar de produzir para economizar água é inviável, traz prejuízos. Assim, nos setores onde a maior parte da água é consumida, a economia é uma questão de difícil resolução em grande parte dos casos, principalmente porque isso demanda investimentos com retorno de médio a longo prazo, o que não é economicamente viável.

As instituições responsáveis pela captação, tratamento e distribuição de água e saneamento básico são em grande parte das ocasiões, empresas públicas, privadas ou mistas com fins lucrativos, ou seja, são empresas. Nesse sentido, predomina uma lógica que objetiva antes de qualquer coisa, o lucro. Negligencia-se assim a possibilidade de excelência na qualidade dos serviços prestados à população em função do lucro. Até o planejamento da gestão em longo prazo ou a simples manutenção preventiva, são muitas vezes deixados de lado para não comprometer a lucratividade e/ou o valor de mercado destas instituições.

Este conjunto de fatores ilustra o quanto é difícil uma resolução a curto ou médio prazo para o problema. Não existe uma fórmula concreta para gerar a eliminação desta problemática. Embora este fato, alguns caminhos podem ser apontados.

É necessário realizar uma conscientização da população sobre a responsabilidade de cada indivíduo a respeito do consumo da água, de modo que o tema fosse amplamente debatido com a maioria de cidadãos possível.

É necessário conservar todas as florestas que ainda estão em pé, sem exceção. Também recuperar o máximo possível das áreas já desmatadas ou degradadas, além de garantir a interrupção dos desmatamentos.

É necessário que as empresas invistam em tecnologia, pesquisa e infraestrutura para que a água seja economizada, reutilizada, e tratada no caso de despejo nos rios e mananciais. Criar sistemas para aperfeiçoar a utilização de água nos processos produtivos, gerando economia.

É necessário que as instituições responsáveis pela captação, tratamento distribuição e cobrança da água, estabeleçam como prioridade absoluta a excelência na prestação de seus serviços para a sociedade, ainda que reduzindo ou mesmo zerando a lucratividade, em função da preservação deste recurso natural tão importante e de um bem-estar efetivamente coletivo.

Apesar de toda a complexidade envolvida levando em consideração as implicações políticas, sociais, econômicas, estruturais e mesmo filosóficas necessárias para a realização destas ações, o presente texto não objetiva debater como fazer isso. O objetivo aqui é apontar os caminhos mais óbvios possíveis para que a atual situação de crise hídrica possa ser revertida em um futuro.

E vamos, aqui no Colégio Atibaia, conscientizar nossos alunos, futuros cidadãos do mundo.



Autor: Prof. Otavio Neto

Geografia – Colégio Atibaia

As Necessidades da Água